- Faltam dois factos em quase todos os convites de festa: a que horas acaba, e se há comida. Ponha os dois.
- Decida entre porta aberta e hora marcada, e diga qual é. 'A partir das oito' e 'às oito' são festas diferentes.
- Um tema que as pessoas cumprem é um que consigam fazer do seu próprio armário em dez minutos. Dê uma instrução, e não um conceito.
- Peça uma garrafa ou um prato de comida com clareza e uma vez. No momento em que isso vira um parágrafo, lê-se como uma fatura.
- Uma festa informal continua a precisar de uma linha de resposta, porque está a comprar comida e gelo para um número que inventou.
O que um convite de festa tem de dizer
Um convite para uma festa pode ter três linhas e funcionar na mesma, desde que sejam as três certas. A folga pertence ao tom e não à informação: um convidado continua a precisar de saber a que horas aparecer, a que horas aquilo para, no que é que se está a meter, e se deve comer antes.
Há dois factos que desaparecem mais do que todos os outros. A hora de fim, porque o anfitrião também não a sabe — ponha uma na mesma e fique até mais tarde se lhe apetecer. E o que levar, porque pedir parece falta de educação, quando mais falta de educação é deixar quarenta pessoas a adivinhar e acabar com onze garrafas iguais de tinto e sem gelo.
- Para o que é a festa, mesmo quando a resposta é nada. 'Porque finalmente é julho' é um motivo.
- A data com o dia da semana, para que alguém apanhe a gralha.
- Uma hora de início, e se aquilo é um início ou uma abertura de portas.
- Uma hora de fim. Qualquer hora de fim. É ela que diz ao convidado se aquilo é um copo ou uma noite.
- A morada completa, com o número do andar, a campainha ou o código do portão, e a paragem mais próxima.
- Se há comida, e se aquilo conta como jantar.
- O que há a levar, ou uma linha clara a dizer que não há nada a levar.
- Como responder e até quando, para poder ir às compras com um número a sério.
A janela de horas: porta aberta ou hora marcada
'A partir das oito' quer dizer apareça quando quiser. 'Às oito' quer dizer esteja lá. Os convidados obedecem àquilo que você escreveu e ficam calados a ressentir-se da outra hipótese, por isso decida primeiro que festa é que está a dar. Uma porta aberta com um discurso às nove não é uma porta aberta, e um jantar às oito que metade da sala trata como chegada a conta-gotas é um jantar frio.
Se há uma coisa que acontece a um momento certo — um bolo, um brinde, alguém a entrar sem saber de nada — dê essa hora em separado e diga para que é. As pessoas organizam-se muito melhor à volta de um motivo do que à volta de uma instrução.
A partir das 20h até tarde, sábado, 14 de junho, lá em casa.
Copos a partir das sete, jantar às oito, e nenhuma cerimónia de um lado nem do outro.
Portas às oito, bolo às dez, e fora dali à uma por causa dos vizinhos.
Apareça a qualquer hora entre as duas e as sete. É uma tarde comprida, não é uma marcação.
A Catarina chega às 20h30 e não sabe nada disto, por isso estejam cá dentro até às 20h15.
Começa às nove e acaba quando o bar acabar.
Temas e dress codes que as pessoas cumprem mesmo
Um tema é um favor que você está a pedir, e o tamanho do favor decide quantas pessoas o fazem. 'Qualquer coisa dourada' consegue nove convidados em dez. 'Berlim, 1927' consegue quatro pessoas mascaradas de alto a baixo e trinta a pedir desculpa à porta, o que é pior para elas do que para si.
A solução é escrever o tema como uma coisa que uma pessoa consiga cumprir com o seu próprio armário em dez minutos, e acrescentar a seguir a frase que dispensa toda a gente. Diga-o uma vez, numa linha, e fale a sério quando disser que ninguém é obrigado.
Dress code: qualquer coisa dourada. Um lenço conta.
Vistam alguma coisa com que consigam dançar. É esse o briefing todo.
Tema: os anos setenta. Uma peça chega — uma gola, um padrão, uns óculos.
Preto e branco, dos pés à cabeça. Toda a gente tem os dois e fica lindo nas fotografias.
Há um tema e é completamente facultativo. Venha como a sua década preferida, ou venha como você.
Arranjado em cima, confortável nos pés. O chão é de pedra e a noite é comprida.
Sem tema, sem dress code, sem plano. Apareça e pronto.
Bebidas, um prato de comida, ou nada
Há três posições honestas e cada uma tem a sua própria frase: traz uma garrafa, traz um prato de comida, não traz nada. O problema começa quando o anfitrião quer dizer uma e escreve outra, ou escreve quatro linhas que se leem como uma conta.
O teste é o comprimento. Uma linha a pedir uma garrafa é hospitalidade. Quatro linhas sobre o orçamento, as compras e quem traz o gelo é um pedido de contribuição, e muda o serão antes de alguém chegar. Se a festa precisa mesmo de ser dividida, diga-o numa frase e deixe as pessoas decidir.
Tragam uma garrafa daquilo que gostam de beber.
A comida está tratada. Tragam bebida e apetite.
Tragam um prato de comida para partilhar, se puderem; se não puderem, tragam-se a vocês.
Não há nada a trazer. Está tudo tratado.
Por favor, não tragam nada. Se tiverem mesmo de trazer alguma coisa, tragam gelo — acaba-se sempre.
Vamos pedir comida e dividir, cerca de doze euros por pessoa. Completamente facultativo se preferirem comer antes.
A cerveja e o vinho são por nossa conta. Coisas mais fortes, tragam as vossas.
Música, vizinhos e as linhas práticas
As linhas práticas evitam que o serão corra mal e custam duas frases. Quando é que a música entra para dentro, onde é que se pode fumar, se a campainha funciona, se há um cão, se são quatro lanços de escadas, e se alguém pode ficar a dormir.
Diga a linha dos vizinhos na sua própria voz e não como se fosse um regulamento. Os convidados cumprem uma promessa feita a uma pessoa e ignoram um aviso, e a diferença nota-se às onze e meia.
A música entra para dentro às onze. Os vizinhos já foram avisados e têm um bebé.
Campainha 14, segundo andar, e a escada é íngreme.
O código do portão é 4402, e a porta da esquerda é a certa.
Fuma-se no pátio e não na varanda, senão fica o apartamento todo a cheirar.
Há um cão muito simpático. Digam-nos se isso for um problema e ele passa o serão lá em cima.
O sofá está livre se preferir não conduzir, e há um quarto de hóspedes para dois.
Uma festa em casa e uma sala alugada são convites diferentes
O convite de uma festa em casa é pessoal. Leva um número de andar, um vizinho, um cão, uma escada e um limite de quanta gente cabe de pé numa cozinha. Uma sala alugada leva uma reserva, uma hora de fim que você não controla e, muitas vezes, um número que não pode ultrapassar.
Esse número muda o texto. Se a sala leva sessenta, o convite tem de o dizer e as respostas têm de ser contadas, senão você acaba a fazer contas à porta. Um convite digital pode levar uma lotação opcional que deixa de aceitar 'sins' quando o número é atingido, e uma data-limite de resposta que fecha o formulário. Continua a ser uma resposta e não um bilhete: não se vende nada, não se cobra nada, e ninguém é registado à entrada.
Em nossa casa, Rua das Tílias, 22, 3.º esquerdo, a partir das oito. A campainha é caprichosa, por isso toquem duas vezes.
É um apartamento e não um salão, por isso vai estar cheio, e é isso mesmo que se pretende.
Temos a sala das traseiras do Café Norte das sete à uma, e é só nossa.
A sala leva sessenta pessoas e o bar fecha à meia-noite e meia, por isso a resposta conta mais do que o costume.
O espaço quer os números finais a 6 de junho, e é por isso que o formulário fecha nesse dia.
Pergunte pela festa dos Simões à entrada e apontam-lhe a sala das traseiras.
'Sem prendas', e como falar a sério
Os convidados trazem alguma coisa porque chegar de mãos a abanar parece mal, por isso o 'sem prendas' só funciona se der ao impulso outro sítio para ir. Diga a coisa que quer mesmo — uma garrafa, um prato de comida, uma música para a playlist — ou diga uma causa. E diga-o uma vez: três vezes no mesmo convite lê-se como um teste e não como generosidade.
Sem prendas, por favor. A vossa companhia é que é o assunto.
Não há mesmo nada a trazer. Já tenho coisas a mais de tudo.
Sem prendas. Se lhe custar muito, uma garrafa para a mesa.
Em vez de prendas, estou a angariar para o abrigo da Rua do Moinho. Vai estar uma caixa à entrada e ninguém a olhar para ela.
Quarenta anos e com sorte. Não gastem nada comigo e gastem tudo no táxi de volta.
Se quiserem oferecer alguma coisa, ofereçam-me uma música para a playlist — o link está na página.
Em cima da hora e festas de última hora
Uma festa em cima da hora tem uma vantagem: ninguém está à espera de um convite desenhado, por isso o texto pode ser uma única frase. E tem uma desvantagem: toda a gente já tem planos, e você está a concorrer com eles. Seja honesto que é em cima da hora, faça com que dizer que não seja tão fácil como dizer que sim, e dê a hora de fim, para que aquilo se possa encaixar a seguir a outra coisa qualquer.
Envie-o como um link que as pessoas abram no telemóvel e respondam num instante. Nada para instalar, nenhuma conta para criar, nenhuma app entre o convite e a resposta — uma festa em cima da hora morre de atrito, e cada passo a mais é alguém a decidir responder mais logo e depois nunca responder.
Decisão repentina: vamos ter gente cá em casa no sábado, a partir das oito, sem nada planeado. Apareça se estiver livre.
Muito em cima da hora e absolutamente nada levado a mal se não puder. Copos lá em casa na sexta, a partir das sete.
O tempo está a aguentar-se, por isso o grelhado é amanhã a partir das quatro. Não tragam nada.
Uma de última hora. Mesmo apartamento, mesma hora, tudo igual. Diga que sim ainda hoje, se puder.
O Cristiano vai-se embora na quinta-feira e nós só soubemos esta manhã. Café Norte, quarta-feira, a partir das seis.
Duas horas de aviso, uma garrafa cada, dez de nós. Alinha?
Formal, moderno e divertido
Até uma festa tem registos, e a escolha é sobre a lista de convidados e não sobre a festa. Um cinquenta anos com pais, sogros e um chefe na lista aguenta uma linha formal sem se transformar num casamento. Uma festa de casa nova para doze amigos não deve tentar nenhuma.
Escolha o que escolher, os factos por baixo mantêm-se pela mesma ordem e nas mesmas palavras simples. O registo vive na linha de abertura, nunca na morada.
Júlia Neves tem o prazer de convidar V. Ex.ª para um jantar que assinala o seu quinquagésimo aniversário, no sábado, dia oito de novembro, pelas sete horas.
Fica cordialmente convidado para um serão de bebidas e música na Casa das Palmeiras, a partir das oito horas.
Agradecemos a sua resposta até ao dia um de novembro.
Vamos dar uma festa no sábado, 8 de novembro, a partir das oito, lá em casa. Comida, música, e jardim se não chover.
A Júlia faz cinquenta. Venha comer connosco a 8 de novembro.
Responda até 1 de novembro, para sabermos quanto cozinhar.
Cinquenta anos e ainda sem juízo. Sábado, 8 de novembro, a partir das oito, tragam uma garrafa.
Temos uma casa, uma coluna e nenhum plano. Está convidado a resolver isso.
Venha só por um copo. Nunca ninguém veio só por um copo.
A linha da resposta, mesmo numa festa informal
A festa informal é precisamente aquela em que a resposta conta, porque não há catering nenhum para absorver o seu palpite. Está a comprar comida, bebida e gelo para um número, e a diferença entre trinta e cinquenta é uma segunda ida à loja às nove com a festa já a decorrer.
Mantenha a linha tão solta como o resto do convite e dê-lhe uma data na mesma. 'Diz-me alguma coisa' não recolhe nada, porque não pede nada até nenhuma hora em particular. 'Diz-me até quinta-feira, para eu saber quanto comprar' recolhe quase tudo, porque se explica a si próprio.
Num convite digital a resposta faz parte da página. Os convidados tocam em sim ou não no navegador que já têm, dizem quantos são e assinalam as restrições alimentares, e o formulário fecha na data que definir. Sem app, sem conta, nada para descarregar — que é a verdadeira razão por que as pessoas respondem em vez de ficarem com a intenção.
Diz-me até quinta-feira, para eu saber quanto comprar.
Sim ou não até quinta-feira, se fizer favor. Um não está perfeitamente bem e é mesmo útil.
Toque no link e diga-me se vem, e quantos são.
Responda até 10 de junho com os números. A partir daí deixo de contar e começo a cozinhar.
Se vier acompanhado, diga quando responder e eu ponho mais uma cadeira.
Há lugar para quarenta e, quando o formulário encher, fecha. Desculpem — apartamento pequeno.
Erros de texto nas festas
- Sem hora de fim, e assim metade dos convidados planeia um serão e a outra metade planeia uma noite inteira.
- 'Comida e bebidas incluídas' quando são batatas fritas, ou 'petiscos' quando é um jantar a sério. Uma das duas deixa alguém com fome.
- Um tema que ninguém consegue cumprir, anunciado sem saída nenhuma.
- A morada sem o andar, sem a campainha e sem o código.
- Uma lista do que levar tão pormenorizada que se lê como uma fatura.
- 'Sem prendas' escrito três vezes, o que se lê como um teste.
- Uma data sem o dia da semana, e a gralha sobrevive até à porta.
- O convite publicado só num grupo de conversa, onde se perde no scroll e um terço dos convidados nunca o vê.
- 'Digam-me alguma coisa', sem data, seguido quatro dias depois de uma mensagem pessoal a cada convidado.
- Uma piada que não pára e engole a hora de início.
- Nada sobre a música nem sobre os vizinhos, e depois uma pancada na porta à meia-noite.
FAQ
- Como se escreve um convite para uma festa?
- Uma linha a dizer o que é a festa, depois a data com o dia da semana, uma hora de início e uma de fim, a morada completa com o andar e a campainha, se há comida, o que há a levar, e como responder até uma data. O tom pode ser o que quiser; essa ordem é que não deve mudar.
- O que nunca se deve deixar de fora de um convite para uma festa?
- Uma hora de fim e uma nota sobre a comida. A hora de fim diz ao convidado se aquilo é um copo ou uma noite fora; a linha da comida decide se ele come antes. Deixe as duas de fora e passa a semana a responder às mesmas duas perguntas.
- Como se pede 'tragam a vossa bebida' com educação?
- Com clareza, e numa linha: 'Tragam uma garrafa daquilo que gostam de beber', ou 'A cerveja e o vinho são por nossa conta; coisas mais fortes, tragam as vossas'. Deixa de soar educado no momento em que vira um parágrafo sobre o orçamento.
- Como se escreve um dress code para uma festa?
- Como uma coisa que uma pessoa consiga fazer com o seu próprio armário em dez minutos, com uma saída em anexo: 'Dress code: qualquer coisa dourada, um lenço conta'. Um conceito consegue quatro pessoas mascaradas e uma sala cheia de desculpas; uma instrução consegue a festa quase toda.
- Como se diz 'sem prendas' num convite para uma festa?
- Uma vez, com simpatia, e com um sítio para onde o impulso possa ir: 'Sem prendas, por favor — a vossa companhia é que é o assunto', ou 'Em vez de prendas, estou a angariar para o abrigo da Rua do Moinho'. Repeti-lo três vezes faz as pessoas suspeitar que é um teste.
- É preciso RSVP numa festa informal?
- É, mais do que numa com catering, porque está a fazer compras para um número que inventou. Dê uma data e um motivo no mesmo fôlego: 'Diz-me até quinta-feira, para eu saber quanto comprar'. É o motivo que transforma um pedido numa resposta.
- Como se escreve um convite para uma festa em cima da hora?
- Admita que é em cima da hora, mantenha-o numa frase, dê uma hora de início e uma de fim, e faça com que dizer que não seja tão fácil como dizer que sim: 'Muito em cima da hora e absolutamente nada levado a mal se não puder. Copos lá em casa na sexta, a partir das sete.'
- Como se convidam pessoas para uma festa sem app nenhuma?
- Envie um único link, ou imprima um código QR para a parede da cozinha. Um convite digital é uma página web: os convidados abrem-na no navegador que já têm no telemóvel, respondem com os números e as restrições alimentares, e não se instala nem se cria conta nenhuma.