- Dê a hora de início e a hora de fim. O aniversário é o único convite em que os convidados precisam de saber quando é que aquilo acaba.
- A idade é opcional. Dizê-la faz da festa uma coisa sobre o número; 'é um número redondo' é uma resposta completa.
- Uma festa de crianças precisa de três coisas de que uma de adultos não precisa: deixar ou ficar, o que as crianças comem, e o que levar.
- Uma festa surpresa tem duas horas de chegada. Ponha a dos convidados primeiro e a linha do segredo lá em cima.
- Prendas, sem prendas, ou um donativo em vez delas: uma linha honesta, e ninguém tem de lhe perguntar em privado.
O que um convite de aniversário tem de dizer
Um aniversário tem menos peças a mexer do que um casamento, e é por isso que o texto se despacha à pressa e por isso que as mesmas cinco perguntas chegam por mensagem a semana toda. Tudo o que um convidado precisa cabe num ecrã, e vale a pena escrevê-lo todo mesmo para oito amigos na sua cozinha.
Um facto importa mais aqui do que em qualquer outro sítio: a hora de fim. Quem sai de um casamento sabe que a noite acabou quando a música para. Quem está num aniversário anda a adivinhar, e um pai numa festa de crianças está a planear o sábado inteiro à volta da sua resposta.
- De quem é o aniversário, e se a idade faz parte do convite.
- Quem convida: a própria pessoa, o companheiro, um pai ou uma mãe, um grupo de amigos.
- O dia, a data e a hora de início, com o dia da semana escrito por extenso.
- A hora de fim, ou a forma da noite: jantar às oito, bolo às dez, música até tarde.
- A morada completa, e a parte que é difícil de encontrar: a campainha, o portão das traseiras, a sala de cima.
- Comida e bebida: uma refeição, umas coisas para petiscar, ou um aviso de que devem comer antes.
- O que houver a levar ou a vestir, e como responder, com uma data.
A questão da idade
Nenhuma regra diz que a idade pertence a um convite, e nenhuma diz que deixá-la de fora é fazer-se de tímido. É uma decisão de tom. Dizer o número faz da festa uma coisa sobre a data redonda, que é para isso que servem quase todos os quarentas. Deixá-lo de fora faz dela uma coisa sobre a pessoa, que é o que quer quem não gosta de alarido.
A resposta do meio é mais útil do que qualquer dos extremos: diga que é um número redondo sem dizer qual. Escolha o que escolher, seja coerente. 'Um número redondo' no cartão e um algarismo no bolo são duas decisões diferentes a chegar na mesma noite.
A Ana faz quarenta. Vai haver bolo, e vai haver negação.
O Tomás faz cinquenta no dia doze, e nós vamos assinalar isso como deve ser.
É um número redondo. Não vamos dizer qual. Venha na mesma.
A Sofia faz anos. O número não interessa; o que interessa é a dança.
Um número redondo, uma mesa comprida, e toda a gente que me tem aturado.
Aniversários redondos, uma linha para cada
Cada década quer um convite diferente, e não é por causa do número. O que muda é quem está na sala e à volta de que é que essas pessoas têm de organizar o dia. Um dezoito escreve-se tanto para os pais como para os convidados; um setenta escreve-se para gente que quer saber onde estacionar.
A Rita faz dezoito. Sábado, 12 de maio, das sete à meia-noite, no salão da Rua Nova. Os pais vêm buscar à meia-noite.
Dezoito anos, e vamos deixá-la escolher a música. Está convidado.
O Bruno faz trinta. Copos às oito, jantar às nove, sem discursos e sem tema.
A Ana faz quarenta e nós vamos fazer disso um acontecimento. Sábado, 12 de maio, a partir das sete.
Quarenta anos, quarenta amigos, uma mesa comprida. Venha, por favor.
O Tomás faz cinquenta, e toda a gente que o conheceu, da escola ao clube náutico, está convidada no dia doze.
Cinquenta anos de Sofia. Almoço à uma, no jardim, até arrefecer.
A Marta faz sessenta. Almoço de domingo no Solar dos Castanheiros, do meio-dia às quatro. Tragam as crianças.
O avô faz setenta e cinco. Sábado, das duas às seis, em casa. Cadeiras, bolo, e discursos só se insistirem.
Lanche para os noventa anos da Helena, sábado às três, no salão paroquial. Há elevador.
| Idade | Para o que a festa serve mesmo | Texto que funciona |
|---|---|---|
| 18 anos | A primeira festa de adulto, com os pais em segundo plano | Direto, com a hora de fim escrita |
| 30 anos | A última grande noite antes de as agendas encherem | Moderno e caloroso; a piada da velhice já cansou |
| 40 anos | Uma ocasião, e a idade costuma dizer-se | Confiante: diga o número, diga o alarido |
| 50 anos | Todas as épocas de uma vida na mesma sala | Caloroso e um pouco formal; metade não se conhece |
| 60 anos | A família primeiro, uma tarde e não uma noite | Simples, com horários que se possam planear |
| 70 anos ou mais | Lugares sentados, luz do dia e a viagem de volta | Frases curtas: hora, morada, estacionamento |
Festas de crianças
O convite de uma festa de crianças é lido por um adulto a decidir como vai ser a tarde dele. São três factos que decidem: se fica, a que horas acaba, e o que é que o filho vai comer. Deixe um de fora e vai responder onze vezes à mesma mensagem.
Deixar ou ficar é a linha que as pessoas têm mais vergonha de escrever, por isso escreva-a. O pai de uma criança de cinco anos quer que lhe digam que pode ficar; o de uma criança de nove quer que lhe digam que se pode ir embora.
O Duarte faz seis anos. Sábado, 12 de maio, das três às cinco, em nossa casa. Os pais são muito bem-vindos a ficar para um café.
A Nina faz sete. Venham brincar, sábado, das duas às quatro e meia, no salão da Rua das Tílias. Podem deixar e ir; nós estamos cá o tempo todo.
Festa na piscina pelos oito anos do Lucas. Sábado, das dez ao meio-dia. Tragam fato de banho, toalha e um lanche.
A Sofia faz cinco. Bolo, insuflável e correria a mais. Das duas às quatro; o almoço é connosco.
Há frutos secos cá em casa. Digam-nos das alergias quando responderem e guardamos um prato à parte.
Sem prendas, por favor, o Duarte já tem que chegue. Se quiserem trazer alguma coisa, um livro que ele ainda não tenha lido era perfeito.
- Uma hora de início e uma hora de fim, as duas, para que um pai consiga planear o resto do dia.
- Deixar ou ficar, dito por palavras, para que ninguém tenha de adivinhar.
- O que as crianças vão comer e a que horas, para que um pai as possa alimentar antes ou não.
- Alergias: pergunte no convite em vez de esperar que um pai se lembre de dizer.
- O que há a levar, e um número de telemóvel para ligar, se está a levar crianças para outro sítio.
Festas surpresa
Uma festa surpresa é o único convite com duas horas de chegada, e quase todas as que correm mal correm mal por aí. Os convidados têm de estar lá dentro e calados antes de o aniversariante entrar, por isso a hora deles não é a hora da festa. Dê-lhes uma hora de chegada firme e diga porquê.
Ponha a linha do segredo lá em cima, onde é lida, e não lá em baixo ao lado do estacionamento. E diga quem trata da outra ponta: o que é que o aniversariante pensa que vai fazer, e quem o leva.
É surpresa. Por favor, não digam nada ao Tomás, nem pessoalmente, nem por mensagem, nem em sítio nenhum onde ele possa ver.
A Ana não sabe. Por favor, cheguem até às sete e meia; ela chega às oito.
Convidados a partir das 19h30. A Sofia entra às 20h00, convencida de que vai jantar sossegada.
Estejam lá dentro e instalados às oito menos dez. O Mateus vem da estação com a irmã.
Se não puderem vir, digam-nos a nós e não a ele. A resposta chega só a nós.
Estacionem na rua de cima e não à porta, e entrem pelo portão do jardim.
Prendas, sem prendas, e um donativo em vez delas
Não dizer nada sobre prendas é uma resposta completa e, na maior parte dos aniversários, é a certa. Mas o 'sem prendas' num aniversário comporta-se de outra maneira do que num casamento: é dito a sério mais vezes e ignorado mais vezes, por isso a linha tem de ser calorosa e concreta o suficiente para ser acreditada.
Um donativo em vez de uma prenda resulta quando é uma linha, uma causa e um link, e quando não obriga ninguém a provar nada. Deixe o convite numa frase e ponha o resto na página dos convidados.
Sem prendas, por favor. A vossa companhia é que é o assunto.
Nada embrulhado. Se quiserem trazer alguma coisa, tragam uma garrafa e uma história minha que eu ainda não tenha ouvido.
A Ana preferia não ter prendas. Se quiserem assinalar o dia, ela está a angariar para o abrigo de animais.
Em vez de prendas, estamos a angariar dinheiro para os cuidados paliativos que trataram da nossa família. Qualquer coisa serve, e não se espera nada.
Setenta anos de coisas. Não tragam nenhuma delas, venham só vocês.
Texto formal
O texto formal de aniversário existe para as ocasiões que o merecem: um jantar de sessenta anos, um almoço de oitenta, uma festa dada em honra de alguém e não pela própria pessoa. Terceira pessoa, data e hora por extenso, sem abreviaturas familiares, e a resposta em linha própria. A armadilha é a formalidade sem motivo: um cartão a pedir a honra da sua presença num trinta anos num bar lê-se como uma piada de que o leitor não faz parte.
Joaquim Almeida e Marta Almeida têm o prazer de convidar V. Ex.ª para um jantar em celebração do sexagésimo aniversário da Sr.ª D. Marta Almeida, no sábado, dia doze de maio, pelas sete horas da tarde.
É com muito gosto que convidamos V. Ex.ª para um almoço em honra da Professora Ana Ribeiro, por ocasião do seu septuagésimo aniversário.
A família de Helena Nogueira tem o prazer de convidar V. Ex.ª para um lanche que assinala o seu nonagésimo aniversário.
Em celebração dos oitenta anos de António Ribeiro, os seus filhos convidam-no para jantar na Quinta da Rosa.
O jantar será servido às oito horas. A festa termina à meia-noite.
Texto moderno
O registo moderno é a primeira pessoa e a sua própria voz: uma frase com afeto, depois os factos, e depois parar. Serve para quase todos os aniversários, e a única armadilha a sério é o enchimento — três frases de sentimento onde uma teria chegado.
Faço anos e gostava de o ter lá. Sábado, 12 de maio, a partir das sete, em nossa casa.
A Ana faz quarenta. Venha comer, beber e ficar até tarde de mais.
Vamos pedir emprestados o jardim, a mesa comprida e os copos bons para os cinquenta do Tomás.
Copos pelos trinta do Bruno. Venha a seguir ao trabalho e fique o tempo que quiser.
Almoço no jardim para a Lena, domingo a partir da uma. Tragam as crianças, tragam um chapéu.
Texto divertido
O divertido resulta quando a piada vive na primeira linha e os factos por baixo se mantêm a direito. Um convidado que não encontra a hora porque o convite está a fazer graça com a hora vai mandar-lhe mensagem, e você perde a piada e a noite.
A Ana faz quarenta. Vai haver negação, e vai haver cocktails.
Sobrevivi a trinta anos. Venha ver-me começar os próximos.
Já com idade para saber que não se deve, e continuo na mesma. Sábado, a partir das oito.
Bolo às nove. Presença fortemente encorajada, prendas fortemente desencorajadas.
Não é um número redondo. Vamos na mesma fazer uma festa redonda.
Venha pelo bolo, fique pelas fotografias horríveis.
A linha da resposta
Os aniversários são respondidos pior do que qualquer outro convite, porque um convite descontraído lê-se como um convite facultativo. A solução são três coisas: uma data escrita como data, um só sítio para responder, e um motivo. Uma reserva de restaurante, um catering, uma contagem; os convidados respondem a um motivo.
Marque a data uma ou duas semanas antes da festa, e não três dias, e peça as duas coisas que vai usar: quantos vêm, e o que não podem comer. Num convite digital o formulário fica na página, e a data-limite de resposta fecha-o quando passa.
Agradecemos confirmação até 5 de maio. O restaurante precisa do número nessa altura.
RSVP até 5 de maio pelo link. Diga-nos quantos são e se há alguma coisa que não comam.
Diga-nos até domingo, para sabermos quanto cozinhar.
Leia o código para responder. Trinta segundos, e poupa-nos uma semana de mensagens.
Responda até 5 de maio, e diga se as crianças vêm, para contarmos o bolo.
Erros de texto nos aniversários
Cada um destes custa ou uma mensagem a que tem de responder, ou um convidado que não aparece. Nenhum deles custa nada a evitar.
- Sem hora de fim, e assim os pais não conseguem planear e ninguém sabe se o jantar está incluído.
- 'Não tragam nada' no convite e uma mesa de prendas à entrada.
- A surpresa falada num grupo de conversa onde está o aniversariante.
- Uma só hora de chegada num convite de surpresa, e metade da sala entra depois da surpresa.
- Uma festa de crianças sem uma palavra sobre comida, e onze pais a perguntar em separado.
- Uma idade impressa no cartão com que o aniversariante nunca concordou.
- 'Copos lá em casa' sem morada, porque toda a gente já lá foi, menos os dois que não foram.
- Um tema mencionado uma vez e nunca explicado, e metade dos convidados vem mascarada.
- 'Digam-me alguma coisa' em vez de uma data de resposta, seguido de uma semana atrás das pessoas.
- Uma piada que passa da primeira linha e engole a morada.
FAQ
- O que deve dizer um convite de aniversário?
- De quem é o aniversário, quem convida, o dia e a data, as horas de início e de fim, a morada completa, se há comida, o que houver a levar, e como responder até uma data. A hora de fim é a que as pessoas deixam de fora e a que os convidados mais querem.
- É obrigatório pôr a idade no convite de aniversário?
- Não. Dizer o número faz da festa uma coisa sobre a data redonda; deixá-lo de fora faz dela uma coisa sobre a pessoa. Se quer a ocasião sem o número, 'é um número redondo' é uma resposta completa.
- Como se escreve um convite para uma festa surpresa?
- Com duas horas e uma linha de segredo lá em cima: 'A Ana não sabe. Por favor, cheguem até às sete e meia; ela chega às oito.' Diga o que o aniversariante pensa que vai fazer, e peça às pessoas que respondam a si em vez de lhe dizerem alguma coisa a ele.
- Como se escreve um convite para uma festa de crianças?
- Hora de início e hora de fim, a morada, se os pais deixam ou ficam, o que as crianças vão comer, o que há a levar, e uma pergunta sobre alergias. Cada uma que deixar de fora transforma-se numa mensagem.
- Como se diz 'sem prendas' num convite de aniversário?
- Com clareza e com simpatia, uma vez: 'Sem prendas, por favor. A vossa companhia é que é o assunto.' Se preferir outra coisa, diga o que é e mantenha-a pequena — uma garrafa, uma planta, ou um donativo a uma causa com nome.
- Com quanta antecedência se envia um convite de aniversário?
- Três a quatro semanas para uma festa, seis a oito para um número redondo em que há gente a viajar. Uma festa de crianças costuma ser duas a três semanas: cedo o suficiente para chegar antes das outras festas, perto o suficiente para os pais ainda terem a data na cabeça.
- Como se escreve o convite de um aniversário redondo?
- Decida primeiro se o número entra, e depois faça o registo condizer com a sala. Um dezoito quer a hora de fim por escrito, um quarenta pode dizer o número, e um setenta quer lugares sentados, estacionamento e quanto tempo aquilo vai durar.
- Posso enviar um convite de aniversário como link?
- Pode. Um convite digital é uma página web com um único link ou um código QR; os convidados abrem-no em qualquer navegador, sem app e sem conta, e respondem na página com o tamanho do grupo e as restrições alimentares. O Vowly Event mostra a página em nove línguas, por isso cada convidado lê-a na sua.