- Pela tradição, quem organiza é uma amiga ou uma irmã e não os futuros pais, e a primeira linha deve dizê-lo.
- Há duas datas que contam e só uma pertence ao topo: a data do chá é o convite, a data prevista do parto é contexto.
- A linha das prendas é a frase mais difícil do cartão. Escreva-a em palavras que diria em voz alta, e ponha a versão comprida na página dos convidados.
- Diga para quem é o chá — só mulheres, casais, ou crianças bem-vindas — ou metade dos convidados adivinha mal.
- A linha da resposta precisa de uma data, de uma via e de um número de convidados. 'Digam-nos alguma coisa' não é uma linha de resposta.
O que um convite de chá de bebé tem de dizer
Um chá carrega uma quantidade invulgar de ambiguidade: quem organiza, quem está convidado, se se leva alguma coisa, e o que acontece depois de toda a gente chegar. Responda a estas oito coisas e as mensagens que vierem a seguir serão sobre estacionamento.
- Quem organiza, e como se fala com essa pessoa.
- De quem é o chá, pelo nome.
- O dia, a data, a hora de início e mais ou menos a que horas acaba.
- A morada completa, incluindo o andar e a campainha.
- Quem está convidado: um nome, um casal, ou uma família com crianças.
- O que há a levar, ou que não se espera nada.
- A linha das prendas, numa frase.
- Como responder e até quando.
Quem organiza, e como se nomeiam os pais
A tradição anglo-saxónica manda que o chá seja dado por uma amiga, uma irmã ou uma tia e não pelos futuros pais, com o raciocínio de que não se convidam pessoas para uma festa em que nos dão prendas. Em Portugal o chá de bebé é recente e veem-se as duas coisas: há chás organizados pelas amigas e há chás que os próprios pais dão. A convenção não é uma regra, mas ainda molda o texto: quando é outra pessoa a organizar, o convite pode ser aberto sobre as prendas; quando são os pais, a linha das prendas tem de ser mais discreta, e o 'sem prendas' passa a ser a coisa honesta a escrever.
Trate a pessoa de quem é o chá pelo nome que as amigas usam, e não pelo que está no banco. Se estão os dois a ser celebrados, nomeie os dois, e ponha o nome de quem organiza onde um convidado o encontre à pressa.
Venha connosco a um chá de bebé em honra da Sofia Almeida, organizado pela irmã, Inês.
A Rita e a Marta convidam-no para um chá de bebé da amiga Lena.
Vamos dar um chá de bebé à Ana, e não era a mesma coisa sem si.
Venha celebrar connosco a Lena e o Bruno, e a pessoa pequena que chega em junho.
Vamos ter um bebé, e gostávamos muito de passar uma tarde convosco antes de ele chegar.
O Tomás e eu vamos dar o nosso próprio chá, o que quer dizer que não há jogos e há bolo muito bom.
Organizado pelo Nuno e pela Clara, na Rua das Tílias, 14 — a Sofia pensa que vem almoçar.
A data prevista, a data do chá e a data-limite de resposta
Aparecem três datas e só uma pertence ao topo. A data do chá é o convite. A data prevista para o parto é contexto — explica por que razão a festa é em abril, e ajuda quem compra roupa a escolher o tamanho — por isso merece uma linha curta e não o título.
Faça o chá quatro a oito semanas antes da data prevista, e marque a data-limite de resposta dez dias a duas semanas antes do chá, porque há alguém a comprar comida e essa pessoa precisa de um número.
A linha da resposta precisa de uma data, de uma só via para responder e de uma nota do que incluir. Num convite digital o formulário faz parte da página: o convidado abre o link ou lê o código, diz quantos vêm e acrescenta o que não pode comer, num navegador, sem app e sem conta. A data que definir fecha o formulário, e a página lê-se em qualquer uma de nove línguas.
Sábado, 18 de abril, a partir das duas — o bebé é esperado no início de junho.
O bebé está previsto para 2 de junho. O bolo é a 18 de abril.
Agradecemos confirmação até 8 de abril, para sabermos quantas chávenas pôr na mesa.
RSVP até 8 de abril — toque no link e diga-nos se vem acompanhado.
Diga à Inês até 8 de abril, e diga se há alguma coisa que não coma.
Texto formal
O texto formal aparece mais vezes do que se espera, normalmente quando a lista de convidados tem avós e colegas de trabalho e não só amigas. É a terceira pessoa, sem abreviaturas familiares, com a data por extenso, e uma frase contida sobre as prendas.
A Sr.ª D. Marta Nogueira tem o prazer de convidar V. Ex.ª para um chá de bebé em honra de sua filha, Rita, no sábado, dia dezoito de abril, pelas duas horas da tarde.
Fica cordialmente convidado para um chá de bebé da Sofia Almeida, em casa de Inês Almeida, na Rua das Flores, 14.
Venha connosco honrar a Lena e o Bruno antes da chegada do seu primeiro filho.
Agradecemos resposta à Inês até ao dia oito de abril.
Foi deixada uma lista na Casa do Bebé, caso deseje utilizá-la.
Texto moderno
O texto moderno é o registo que a maioria dos chás quer mesmo: primeira pessoa, a voz de quem organiza, e os factos por baixo num bloco curto. Um chá é uma tarde pequena, e as tardes pequenas soam mal em linguagem de cerimónia.
Vamos dar um chá de bebé à Ana. Sábado, 18 de abril, a partir das duas, lá em casa.
O bebé Almeida chega em junho. Venham comer bolo por causa disso em abril.
Uma tarde para a Sofia antes de tudo mudar — sábado, 18 de abril, das duas às cinco.
Sem tema, sem jogos, só um almoço para a Ida e as pessoas de quem ela gosta.
Apareça a qualquer hora entre as duas e as cinco, e fique o tempo que quiser.
Texto divertido
O texto divertido assenta melhor num chá de bebé do que em quase qualquer outro convite, e a regra do costume mantém-se: a piada vive na primeira linha, e a morada por baixo fica a direito.
Está um bebé a caminho. Venham ajudar-nos a esperar!
A Sofia fez uma pessoa inteira. Venham admirar o trabalho.
Prestes a rebentar, e o espumante também — para toda a gente menos para a convidada de honra.
Meias minúsculas, bolo grande, uma tarde. Sábado, 18 de abril.
O Bruno já leu quatro livros e continua sem estar pronto. Venham ajudar-nos a prepará-lo.
Venha pelas fraldas, fique pelas sandes.
A linha das prendas, e as suas quatro alternativas
Esta é a frase que quem organiza reescreve seis vezes. É difícil porque um chá é, na sua estrutura, uma festa em que as pessoas trazem coisas, e dizê-lo em voz alta parece um pedido. Diga-o com clareza, numa frase, e ponha noutro sítio tudo o que for mais comprido.
Há cinco posições honestas — uma lista numa loja e as suas quatro alternativas — e o texto acompanha aquela que for verdade. Escolha uma: um cartão que oferece todas ao mesmo tempo lê-se como uma lista de compras.
A lista da Sofia está na Casa do Bebé, se quiserem usá-la.
Há uma lista de desejos na página do convite. Tratem-na como sugestão e não como conta.
Em vez de um cartão, tragam um livro para a estante e escrevam um recado na contracapa.
Tragam um pacote de fraldas de qualquer tamanho — estamos a tentar encher um armário.
Rifa de fraldas: um pacote, um bilhete, e uma garrafa de vinho a ganhar.
Sem prendas, por favor. A Lena prefere a companhia.
A Ida não tem lista em lado nenhum. Uma refeição para o congelador vale por dez fatinhos de bebé.
| O que quer | Como dizê-lo | Onde vai o pormenor |
|---|---|---|
| Uma lista numa loja | 'A lista da Sofia está na Casa do Bebé, se quiserem usá-la.' | O link na página do convite, e não no cartão |
| Uma lista de desejos online | 'Há uma lista de desejos na página abaixo — tratem-na como sugestão.' | Um só link, mantido atualizado pelos pais |
| Livros em vez de cartões | 'Tragam um livro para a estante em vez de um cartão, e escrevam na primeira página.' | Uma linha; acrescente 'qualquer livro de que tenham gostado' se alguém perguntar |
| Fraldas | 'Tragam um pacote de fraldas de qualquer tamanho e fica assunto arrumado.' | Tamanhos só se alguém perguntar; o armário aceita todos |
| Nada | 'Sem prendas, por favor — a Lena prefere a companhia.' | Em lado nenhum. Uma linha de 'sem prendas' não precisa de página por trás |
Só mulheres, casais, ou a família toda
Há três formatos comuns e não são intermutáveis: uma tarde de mulheres, um chá de casais com os dois pais e os amigos dos dois, e uma tarde de família com crianças a correr no meio. Um convidado que adivinha mal aparece com o marido e um miúdo de quatro anos.
O texto carrega isso em dois sítios: a quem o convite é dirigido, e uma linha simples sobre quem mais é bem-vindo. Há quem aproveite também a tarde para dizer se é menino ou menina; uma linha neutra chega para isso, e o resto do cartão continua a ser sobre o chá.
Uma tarde para a Sofia e as amigas — só mulheres, e ninguém vai ser obrigado a jogar nada.
Esta é só para as mulheres da vida da Rita.
Um chá de casais: traga a sua cara-metade, e há cerveja além do chá.
Companheiros bem-vindos, crianças bem-vindas, cães lamentavelmente não.
Uma tarde de família — o jardim está aberto e há muita gente pequena para brincar.
Só adultos, por favor. Esta é a última tarde sossegada que a Lena vai ter durante algum tempo.
Jogos, ou uma linha a dizer que não há nenhum
Os jogos são a parte mais divisiva de um chá e a mais fácil de resolver no convite. Quem gosta deles quer chegar a horas; quem os teme quer saber que pode descansar.
Se um jogo precisa de alguma coisa com antecedência — uma fotografia de bebé, um conselho, um palpite para a data — o convite é o único sítio onde esse pedido chega a toda a gente.
Vai haver jogos. São curtos, e ninguém é obrigado a ganhar.
Sem jogos, sem castigos e sem adivinhar as medidas de ninguém. Só almoço.
Tragam uma fotografia vossa em bebé; vamos pregá-las todas na parede.
Escrevam um conselho no cartão que vai neste envelope e tragam-no convosco.
Adivinhem a data e o peso quando chegarem. Quem ganhar leva as flores para casa.
Chás pequenos, segundos filhos e um chá depois do parto
Um segundo ou terceiro filho costuma ter uma festa mais pequena, e é o texto que diz aos convidados que é mais pequena. Em inglês há uma palavra própria para isso; em português não há, por isso diga-o com todas as letras — um chá pequeno, sem prendas, só para estarmos juntos. Um segundo bebé precisa de um lençol de berço e de uma tarde livre.
Os chás depois do parto são hoje comuns, porque o bebé está lá para ser conhecido. Mudam duas coisas: o bebé tem nome, e o convite dá uma janela em vez de uma hora de início, porque a tarde de quem acabou de ser pai ou mãe tem um teto.
Um chá pequeno para a Rita, que já passou por isto e não precisa de nada a não ser companhia.
Vem aí o número dois. Sem prendas, sem jogos, só uma tarde no jardim.
A Sofia e o Mateus dão as boas-vindas ao Duarte, nascido a 2 de junho. Venha conhecê-lo.
Uma tarde para conhecer o bebé: apareça entre as duas e as cinco, fique vinte minutos ou duas horas.
A Ida está em casa, o Duarte está a dormir, e nós gostávamos muito de o ver. Sábado, a partir das três.
Venha conhecer a Nour. Não traga nada — o congelador está cheio e o apartamento também.
Erros de texto nos chás de bebé
- A data prevista do parto no topo, onde devia estar a data do chá.
- Ninguém identificado como organizador, e assim ninguém sabe a quem responder.
- 'Tragam um prato de comida' enviado por mensagem a uns convidados e a outros não.
- Uma linha de prendas que se lê como uma fatura.
- Três opções de prenda no mesmo cartão, e os convidados trazem uma de cada.
- Sem hora de fim, na única tarde em que uma hora de fim é uma gentileza.
- Nada dito sobre crianças, e metade dos convidados leva-as e a outra metade pede desculpa.
- A morada sem o andar nem a campainha, porque toda a gente já lá foi.
- Os jogos guardados como surpresa, e quem os teme descobre à porta.
- Uma data-limite de resposta dois dias antes do chá, sem tempo para ir às compras.
FAQ
- O que se escreve num convite de chá de bebé?
- Quem organiza, de quem é o chá, o dia, a data, a hora de início e a de fim, a morada completa, quem está convidado, uma linha sobre prendas e uma data-limite de resposta. É esse o cartão inteiro; a lista de desejos e o estacionamento pertencem à página do convite.
- Quem organiza um chá de bebé?
- Pela tradição anglo-saxónica, uma amiga, uma irmã ou uma tia, e não os futuros pais, para que ninguém esteja a convidar pessoas para uma festa em que recebe prendas. Em Portugal o chá é recente e as duas coisas são normais: há muitos casais que dão o seu próprio chá, e isso apenas obriga a uma linha de prendas mais discreta.
- Como se escreve a linha das prendas num convite de chá de bebé?
- Numa frase, como oferta e não como instrução: 'A lista da Sofia está na Casa do Bebé, se quiserem usá-la.' Ponha o link na página do convite, e nunca junte no mesmo cartão uma lista de loja, uma lista de desejos e um pedido de fraldas.
- Como se diz 'sem prendas' num convite de chá de bebé?
- Com clareza e uma vez: 'Sem prendas, por favor — a Lena prefere a companhia.' Uma ou duas pessoas vão perguntar na mesma, por isso tenha uma alternativa pronta para responder: um livro para a estante, um pacote de fraldas, ou uma refeição para o congelador.
- Quando se deve fazer o chá de bebé?
- Quatro a oito semanas antes da data prevista — tarde o suficiente para parecer real, cedo o suficiente para a convidada de honra estar confortável. Envie os convites três a quatro semanas antes e marque a data-limite de resposta dez dias a duas semanas antes.
- Põe-se a data prevista do parto no convite?
- Põe-se, mas numa linha curta e não no topo. Explica por que razão o chá é quando é, e ajuda quem compra roupa a escolher o tamanho. A data que pertence ao título é a do chá.
- Como se convidam homens para um chá de bebé?
- Diga-o no convite, porque a suposição por defeito de toda a gente é que é só para mulheres. 'Um chá de casais: traga a sua cara-metade, e há cerveja além do chá' chega. Dirija-o aos dois nomes, para que a linha e o envelope digam a mesma coisa.
- Como se escreve um chá depois de o bebé nascer?
- Use o nome do bebé e dê uma janela em vez de uma hora de início: 'A Sofia e o Mateus dão as boas-vindas ao Duarte, nascido a 2 de junho. Apareça entre as duas e as cinco.' A tarde de quem acabou de ser pai ou mãe tem um teto, e o convite deve protegê-lo.