Texto para o convite de formatura,
para a cerimónia e para a festa.

Uma formatura produz dois convites, e não são o mesmo documento. Um é para uma cerimónia com hora fixa, registo formal e um número rígido de lugares. O outro é para uma festa que dura a tarde toda e aceita toda a gente que lá consiga chegar. Esta página tem o texto para os dois, mais o anúncio, que não é um convite de todo.

  • Escreva dois convites, e não um. A cerimónia tem lugares fixos e hora fixa; a festa tem uma janela e uma lista aberta.
  • Diga por extenso, pelo menos uma vez, o nome de quem se forma, a instituição e o grau. Este é um cartão que as pessoas guardam.
  • Um anúncio diz que aconteceu; um convite pede a alguém que venha. Um cartão pode fazer as duas coisas se disser qual frase é qual.
  • O texto de casa aberta precisa de um início, de um fim e da autorização para chegar a meio.
  • Diga uma coisa sobre prendas, ou não diga nada. A insinuação é a única opção que falha.

Dois convites, não um

Quase todas as formaturas geram dois textos separados, e confundi-los é o erro mais comum do cartão. A cerimónia é um evento da instituição: data fixa, hora fixa, um lugar sentado e, normalmente, dois ou quatro convites por finalista. A festa é da família: uma casa, um jardim, uma tarde.

Escreva-os em separado mesmo quando vão para as mesmas pessoas. Um cartão que tenta ser os dois deixa os convidados na dúvida sobre se têm lugar no auditório, e é essa a única coisa que eles precisam de saber.

O que mudaA cerimóniaA festa
RegistoFormal, terceira pessoaModerno ou divertido, primeira pessoa
HoraUma hora fixa, com abertura de portas antesUma janela: das três até tarde
Lista de convidadosLimitada pelos convitesAberta, e pode crescer
A respostaQue pessoa, com nome, usa que conviteQuantos, e mais ou menos a que horas
PrendasNão se mencionam de todoMencionadas uma vez, ou nunca

O que tem de dizer, e como nomear o grau

Seja qual for dos dois que estiver a escrever, a mesma espinha tem de lá estar. Um cartão de formatura é guardado, por isso os pormenores que este mês parecem óbvios — que universidade, que ano, que grau — são os que importam daqui a dez.

É também aqui que o texto se estraga em silêncio. As siglas que a família conhece não dizem nada a um vizinho, e um grau reduzido a três letras lê-se como uma gralha. Escreva-o por extenso uma vez, na ordem que se lê melhor: nome, grau, instituição, ano.

Ana Ribeiro, licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra, 2027.
O Mateus Ferreira concluiu o mestrado em Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico.
A Sofia Almeida licencia-se em História pela Universidade do Porto, com distinção.
Leonor Matos · Mestrado em Política Ambiental · Universidade Nova de Lisboa · Turma de 2027
O Bruno Vieira recebe o grau de doutor em Química na sexta-feira, 18 de junho.
A Inês Almeida termina o curso de Enfermagem em junho, na Universidade de Coimbra.
Ao fim de quatro anos, três cidades e uma dissertação muito comprida, o Tomás Almeida é licenciado.
  • O nome completo de quem se forma, tal como vai ser lido em voz alta.
  • A instituição, escrita por extenso e não pela sigla.
  • O grau, e a área quando faça sentido.
  • O ano em que se formou.
  • A data, a hora, e a hora de abertura de portas, se houver.
  • O local com a morada, e que auditório ou edifício.
  • Se o convite dá direito a entrada, e a quantas pessoas.
  • Como responder, e até quando.

Texto formal, e a cerimónia

O convite da cerimónia é formal porque o evento é. Quem se forma não é quem recebe; quem recebe é a instituição, por isso o texto fica mais perto de um aviso do que de um convite: terceira pessoa, sem abreviaturas familiares, data por extenso.

A sua verdadeira função é levar as regras dos lugares sem soar a contragosto. Diga o número com clareza: um convidado a quem se diz que só há dois lugares não leva a mal, e um que descobre isso à porta leva.

Fica convidado para assistir à cerimónia de entrega de diplomas de Ana Ribeiro, licenciada em Direito, na Universidade de Coimbra, na sexta-feira, dia dezoito de junho, pelas onze horas da manhã.
A cerimónia começa às onze. As portas abrem às dez e meia e fecham à hora certa.
Este convite dá entrada a uma pessoa. Traga-o consigo, impresso ou no telemóvel.
Deram-nos dois convites, e gostávamos que um deles fosse seu.
Os lugares no auditório estão limitados a dois por finalista. A cerimónia é também transmitida na sala ao lado, onde não há limite.
Os finalistas vão de traje académico; os convidados costumam vestir-se como para um casamento.

Texto moderno, e a festa

O convite da festa é o que as pessoas gostam de receber, e pode ser tão caloroso quanto a família for. Os factos que leva são outros: não uma hora mas uma janela, não um lugar numerado mas um número aproximado, e alguma ideia de se aquilo é um almoço, um grelhado ou uns copos.

Vamos dar uma festa ao Mateus por ter acabado o curso. Sábado, 26 de junho, a partir das três, lá em casa.
Quatro anos de trabalho e uma tarde a festejar. Venha comer connosco.
A Ana acabou. Há jardim, há grelhador e há dois pais muito aliviados.
Copos pela Sofia, que agora é historiadora com papel passado. Sábado a partir das seis.
Venha celebrar o Bruno — sábado, 26 de junho, das duas até a comida acabar.

Texto divertido

O texto divertido pertence ao cartão da festa e não deve chegar ao pé do da cerimónia. A regra do costume mantém-se: a piada vive na primeira linha, e a morada por baixo fica a direito.

Ela leu todos os livros. Venha vê-la pôr um chapéu na cabeça.
O Tomás está formado. Estamos tão surpreendidos como você.
A beca sai às quatro e a música entra às oito.
Três anos, um curso, nenhum plano. Festa no sábado!
Venha ajudar o Mateus a celebrar nunca mais escrever uma bibliografia.

Casa aberta: texto com uma janela de horas

A casa aberta é o formato normal de uma festa de formatura, e funciona porque um fim de semana de formaturas está cheio de festas de outras pessoas. Os convidados vêm por uma hora, comem alguma coisa e seguem, e o convite tem de lhes dar autorização para fazer exatamente isso.

Precisa de três coisas de que uma festa de hora fixa não precisa: uma hora de início e uma de fim, uma linha a dizer que se pode chegar a qualquer altura entre as duas, e uma nota sobre a comida, porque quem chega às quatro quer saber se o almoço já acabou.

Casa aberta, sábado, 26 de junho, das duas às sete. Venha quando puder, vá-se embora quando quiser.
Estamos em casa a tarde toda. Apareça entre a uma e as seis.
Comida a partir das duas, bolo às quatro, e a porta fica aberta até às oito.
Sem hora marcada: venha por meia hora ou fique pela noite.
Uma tarde aberta para a Ana, das 14h às 19h. A cerimónia é na sexta-feira, por isso isto é completamente informal.
Sabemos que é um fim de semana cheio. Se for primeiro a casa do Tomás, venha à nossa a seguir.

Anúncio, convite, ou os dois

Um anúncio diz que um curso foi concluído. Um convite pede a alguém que venha a alguma coisa. A maior parte das famílias precisa dos dois, e a maior parte manda um cartão que faz os dois trabalhos, o que não tem mal nenhum desde que o cartão seja claro sobre qual frase é qual.

Os anúncios vão para o círculo mais largo: colegas de trabalho, família distante, o vizinho que perguntava todos os anos como é que aquilo ia. Não levam linha de resposta nem expectativa, e isso tem de se ver, senão o leitor passa uma tarde a pensar se era suposto ir.

A Ana Ribeiro licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Estamos discretamente encantados.
É com orgulho que partilhamos que o Mateus Ferreira concluiu o curso de Engenharia Civil.
A Sofia acabou. Sem cerimónia, sem festa, sem necessidade de responder — só queríamos que soubesse.
Isto é um aviso e não um convite: o Bruno é agora doutor em Química.
A Rita forma-se a 18 de junho. Se estiver perto do Porto nessa semana, venha ter connosco a seguir.
A Leonor formou-se, há uma festa a 26 de junho, e este é o seu convite para ela.

Quem recebe: a família ou quem se formou

Quem recebe muda a primeira linha e, mais útil do que isso, muda aquilo que o convite pode dizer. Quando são os pais a receber, o texto pode ser orgulhoso e nomear a conquista sem rodeios. Quando é quem se formou a receber, o registo desce e o orgulho fica por dizer — um recém-licenciado a escrever sobre o orgulho que toda a gente tem nele lê-se mal.

Diga na primeira linha quem recebe, e mantenha os mesmos nomes na resposta. Se recebem os dois, 'juntamente com' faz o trabalho todo.

Marta e Pedro Nogueira convidam-no para celebrar a formatura da sua filha, Rita.
Juntamente com os pais, a Ana convida-o para uma festa no sábado.
Acabei. Venha ao jardim no sábado ajudar-me a esquecer os últimos quatro anos.
A família da Sofia gostaria muito da sua companhia no sábado à tarde.
Organizado pelo Tomás, com a mãe a fazer a comida toda.
Os Matos estão em casa a 26 de junho, a celebrar o curso da Leonor.

Prendas, dinheiro, e como não pedir nenhum

A formatura é uma das poucas ocasiões em que os convidados não sabem mesmo o que se espera deles, e a resposta varia de família para família e de país para país. O convite é o único sítio onde isso se resolve, e a regra mantém-se: diga uma coisa, uma vez, em palavras que usaria em voz alta.

O dinheiro é a prenda mais comum e a mais incómoda de pedir. Se vai para alguma coisa concreta, diga o que é — um voo, uma entrada, a primeira renda. Um destino transforma um pedido em informação.

A sua companhia é a prenda. Mais nada, por favor.
A Ana muda-se para Lisboa em setembro, por isso tudo o que ajude na casa é muito bem-vindo.
Sem prendas. Se quiser assinalar o dia, escreva alguma coisa no livro que está à entrada.
O Mateus está a juntar dinheiro para uma bicicleta que não pode pagar. Há um frasco.
Um contributo para o primeiro semestre da Sofia no estrangeiro era muita gentileza, se quiser oferecer alguma coisa.
Só cartões, por favor — a Leonor muda de casa daqui a duas semanas e não consegue carregar nada.

A linha da resposta, e os convidados que não podem vir

Dois eventos, duas linhas de resposta. A cerimónia precisa de saber que pessoa, com nome, usa que convite, e precisa de uma resposta cedo, porque um lugar que não é usado pode ser dado a outra pessoa. A festa precisa de um número e de uma hora aproximada de chegada, para que a comida chegue quando as pessoas chegam.

Uma formatura também junta gente que anda espalhada, e alguns vão estar noutro país ou em época de exames. Vale a pena escrever uma linha que lhes dê uma saída airosa, e ela até faz com que respondam mais depressa. Se há transmissão, uma fotografia a seguir ou um encontro mais pequeno mais tarde, diga-o.

Num convite digital o formulário de resposta faz parte da página: o convidado abre o link ou lê o código, diz quantos vêm e acrescenta o que não pode comer, num navegador, sem app e sem conta. A data que definir fecha o formulário.

Agradecemos confirmação até 1 de junho, e diga-nos que convite vai usar.
RSVP até 18 de junho — diga quantos são e mais ou menos a que horas chegam.
Diga-nos até sexta-feira, e diga se há alguma coisa que não coma.
Leia o código para responder. Vamos encomendar a comida no dia vinte.
Sabemos que é longe. Se não puder vir, as fotografias chegam-lhe nessa mesma noite.
A cerimónia é transmitida no site da universidade; o link está na página abaixo.
Nenhuma pressão se a data for impossível — a Ana vem a casa no Natal.

Erros de texto nas formaturas

  • A universidade identificada pela sigla, no único cartão que as pessoas guardam.
  • O grau abreviado, e assim ninguém de fora da família o consegue ler.
  • A cerimónia e a festa no mesmo cartão, sem uma linha a dizer qual delas tem lugares limitados.
  • Um limite de lugares descoberto à porta em vez de no convite.
  • Uma casa aberta com hora de início e sem hora de fim.
  • 'Apareça quando quiser' sem uma palavra sobre a que horas há comida.
  • Um anúncio que se lê como um convite, e metade de quem o recebe pede desculpa por não ir.
  • Uma linha de prendas que insinua dinheiro sem dizer para que é.
  • O cartão do próprio finalista a descrever o orgulho que toda a gente tem nele.
  • Uma data-limite de resposta marcada depois de os lugares, os voos e o catering já estarem decididos.

FAQ

O que se escreve num convite de formatura?
O nome completo de quem se forma, a instituição por extenso, o grau e o ano, a data e a hora, o local, e como responder. Se for a cerimónia, acrescente a quantas pessoas o convite dá entrada. Se for a festa, acrescente as horas e se vai haver comida.
Qual é a diferença entre um anúncio de formatura e um convite?
Um anúncio diz que um curso foi concluído e não pede nada a quem o lê. Um convite pede a essa pessoa que venha a alguma coisa concreta. Um cartão pode fazer as duas coisas, mas tem de ser óbvio qual frase é qual, senão as pessoas não sabem se são esperadas.
Como se escreve um convite de casa aberta para uma formatura?
Dê uma hora de início e uma de fim, diga que se pode chegar a qualquer altura entre as duas, e mencione a comida: 'Casa aberta, sábado, 26 de junho, das duas às sete. Venha quando puder, vá-se embora quando quiser. Comida a partir das duas, bolo às quatro.'
Como se pede dinheiro como prenda de formatura?
Diga para que é. 'A Ana muda-se para Lisboa em setembro, por isso tudo o que ajude na casa é muito bem-vindo' lê-se como informação; o mesmo pedido sem destino lê-se como uma exigência. Se não quer nada, diga-o: 'A sua companhia é a prenda.'
Como se escreve o grau num convite?
Por extenso, pelo menos uma vez: 'licenciada em Direito' em vez das iniciais, 'Universidade de Coimbra' em vez de um conjunto de maiúsculas. Este é um cartão que as pessoas guardam, e as abreviaturas que são óbvias dentro da família são ilegíveis para toda a gente.
Quando se devem enviar os convites de formatura?
Quatro a seis semanas antes da data, e mais cedo se houver convidados a viajar ou a tirar férias. Envie o convite da cerimónia assim que os lugares forem atribuídos, porque um lugar não reclamado ainda pode ser dado a quem o use.
Pode convidar-se alguém para a festa mas não para a cerimónia?
Pode, e é normal — a maioria das cerimónias só dá dois ou quatro lugares. Envie o convite da festa sozinho, escrito como um convite a sério e não como prémio de consolação, e não diga nada sobre os lugares que não teve.
Quem organiza uma festa de formatura?
Ou a família ou quem se formou, e a primeira linha deve dizer qual. Os pais podem escrever sobre a conquista diretamente. Quem dá a sua própria festa deve deixar a conquista implícita e limitar-se a convidar as pessoas.

Prontos quando
o senhor estiver.

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