- Decida primeiro a linha dos anfitriões. Tudo o resto fica mais fácil quando se sabe de quem é este convite.
- O texto formal usa a terceira pessoa e escreve as datas por extenso; o moderno diz as coisas na sua própria voz. Os dois estão certos; misturá-los não.
- Um cartão ou dois: se a cerimónia e o copo-de-água têm listas de convidados diferentes, precisam de textos diferentes, e não de letra mais pequena.
- A linha da resposta precisa de uma data, de uma via e do que incluir; sem essas três, vai andar atrás das pessoas.
- Só para adultos, acompanhantes, dress code e prendas: diga cada um uma vez, no convite, nas mesmas palavras para toda a gente.
O que um convite de casamento tem de dizer
Todo o resto é design. Se um convidado conseguir ler o cartão uma vez e ficar a saber estas sete coisas, o convite cumpriu a sua função, e as perguntas que receber depois serão sobre hotéis e não sobre a que horas deve chegar.
- Quem convida: os noivos, os pais, ou as duas famílias em conjunto.
- Quem se casa: nomes completos, na ordem em que os dois concordarem.
- O dia da semana, a data e o ano, e a hora a que começa a cerimónia.
- O local da cerimónia com a morada completa, e o do copo-de-água se for noutro sítio.
- O que acontece e mais ou menos quando: cerimónia, copo-de-água, jantar, dança, e a que horas acaba.
- O dress code, em palavras sobre as quais o convidado consiga agir.
- Como responder e até quando, com uma data a sério.
A linha dos anfitriões, em cada forma de família
Tradicionalmente os anfitriões são quem paga, e é por isso que a fórmula antiga abre com os pais da noiva. Hoje a maioria dos casais convida em seu próprio nome ou convida em conjunto com as famílias, e o texto acompanha aquilo que for verdade. O que importa é que esteja decidido antes de o cartão ser desenhado, e que não favoreça um dos lados em surdina.
As linhas abaixo cobrem as formas que aparecem. Escolha a que serve e mude os nomes; se duas servirem por metade, a mais honesta é quase sempre 'juntamente com as suas famílias'.
Juntamente com as suas famílias, Ana Ribeiro e Tomás Almeida convidam-no para o seu casamento.
Ana Ribeiro e Tomás Almeida convidam-no para celebrar o seu casamento.
António Ribeiro e Maria Ribeiro têm a honra de convidar V. Ex.ª para o casamento de sua filha Ana com o Sr. Tomás Almeida.
António e Maria Ribeiro e Joaquim e Marta Almeida têm a honra de convidar V. Ex.ª para o casamento de seus filhos.
António Ribeiro e Maria Ribeiro, juntamente com Joaquim e Marta Almeida, convidam-no para o casamento da Ana e do Tomás.
Ana Ribeiro, filha de Maria Ribeiro e do saudoso António Ribeiro, e Tomás Almeida convidam-no para o seu casamento.
Juntamente com a mãe dela, Maria Ribeiro, e os pais dele, Joaquim e Marta Almeida, a Ana e o Tomás convidam-no para partilhar o dia do seu casamento.
Com a bênção das suas famílias, a Ana e o Tomás convidam-no para o seu casamento.
Texto formal
Os convites formais são compostos na terceira pessoa, escrevem a data e a hora por extenso, não usam abreviaturas familiares nem pontos de exclamação, e dão à resposta uma linha só sua ou um cartão só seu. A moldura clássica está abaixo por inteiro, seguida das frases que se trocam umas pelas outras.
Há duas convenções que vale mais conhecer do que seguir às cegas. Em português distingue-se o convite da participação: quem convida chama as pessoas à cerimónia ('têm a honra de convidar V. Ex.ª'), quem participa anuncia o casamento a quem não vai estar lá ('temos a honra de participar a V. Ex.ª o casamento de nossos filhos'). E o ano escreve-se por extenso, porque um cartão formal não leva um único algarismo. Quebre qualquer uma delas se o cartão ficar melhor assim; ninguém lhe vai escrever por causa disso.
António Ribeiro e Maria Ribeiro têm a honra de convidar V. Ex.ª e Ex.ma Família para a cerimónia do casamento de sua filha Ana Maria com o Sr. Tomás Almeida, que se realizará no sábado, dia doze de maio de dois mil e vinte e sete, pelas três e meia da tarde, na Quinta da Rosa, Rua das Oliveiras 14, Sintra, seguindo-se o copo-de-água.
Temos a honra de participar a V. Ex.ª o casamento de nossos filhos Ana Maria Ribeiro e Tomás Almeida.
Juntamente com as suas famílias, Ana Maria Ribeiro e Tomás Almeida têm o prazer de convidar V. Ex.ª para o seu casamento.
Seguem-se o jantar e a dança.
O copo-de-água terá lugar na Quinta da Rosa, imediatamente após a cerimónia.
Agradecemos a sua resposta até ao dia doze de abril.
Texto moderno
O registo moderno é a primeira pessoa e a sua própria voz, com os mesmos factos por baixo. É o registo que a maioria dos casais quer, e a armadilha é o enchimento: três frases carinhosas onde uma bastava. Escreva a linha com afeto, depois os factos, e pare.
Vamos casar-nos, e gostávamos muito de o ter connosco.
A Ana e o Tomás vão casar-se. Venha celebrar connosco.
Ao fim de oito anos, duas cidades e um gato muito paciente, vamos oficializar.
Vamos dar o 'sim' no sábado, 12 de maio, e o dia não é o mesmo sem si.
Junte-se a nós para nos casarmos, comermos demais e dançarmos mal.
Cerimónia às 15h, jantar às 18h, dança até tarde. Traga sapatos confortáveis.
Vai ser um casamento pequeno, e você está na lista muito curta.
Texto divertido
O texto divertido resulta quando a piada vive na primeira linha e os factos por baixo se mantêm a direito. Um convidado que não encontra a hora porque o cartão é esperto de mais vai perguntar-lhe, o que estraga a graça toda.
Ela disse que sim. Ele chorou. Está convidado.
Já reservámos a sala, a banda e bolo a mais. Venha ajudar-nos a acabar com ele.
Oito anos de treino. Uma tarde de cerimónia. Venha assistir.
Bar aberto, danças duvidosas, um casamento. Sábado, 12 de maio.
Prometemos uma cerimónia curta e um jantar comprido.
A cerimónia e o copo-de-água: um cartão ou dois
Em Portugal o convite tem primeiro de dizer que casamento é. Um casamento civil realiza-se na conservatória do registo civil ou, cada vez mais, no próprio espaço com o conservador deslocado, e a cerimónia é curta; um casamento católico realiza-se na igreja e inclui missa, pelo que a hora de chegada e a duração são outras. Diga qual é e onde é, porque um convidado que conta com vinte minutos de conservatória e apanha uma missa de hora e meia vestiu-se para a coisa errada. Se toda a gente está convidada para tudo, um cartão chega: a hora da cerimónia, o local, e uma linha a dizer que se segue o copo-de-água.
Se as listas de convidados são diferentes, o texto também tem de ser, e a forma delicada são dois convites separados em vez de um cartão com letra pequena a excluir pessoas. Os convidados só para a noite devem ler um convite que soe a convite e não a prémio de consolação. Diga para o que estão convidados, a que horas começa, e que gostava muito de os ter lá. Ninguém se importa de ser chamado à festa; as pessoas importam-se de ser tratadas como segunda escolha.
A cerimónia começa às três horas, seguindo-se o copo-de-água, o jantar e a dança.
O copo-de-água será na Quinta da Rosa, a partir das seis horas.
Gostávamos muito de o ter connosco na festa da noite, a partir das oito horas, com bebidas, bolo e dança.
Venha à festa: a partir das 20h na Quinta da Rosa, quando as mesas do jantar estiverem levantadas e a banda começar.
Cerimónia 15h · Copo-de-água 16h · Jantar 18h · Dança 21h · Fecho 1h
A linha da resposta
A linha da resposta decide se o mês anterior ao seu casamento é passado atrás das pessoas. Dê uma data, uma só via para responder, e uma nota do que incluir. Marque a data três a quatro semanas antes do casamento, para que o prazo do catering não caia no mesmo dia do seu último lembrete.
Num convite digital o formulário de resposta faz parte da página, por isso a linha é curta e o convidado responde em menos de um minuto. Num cartão impresso é ela que leva o link ou o código QR. O guia de RSVP tem a etiqueta e mais trinta linhas.
Agradecemos confirmação até 12 de abril, pelo link abaixo, e diga-nos se há restrições alimentares.
RSVP até 12 de abril · ana-e-tomas.example
Agradecemos a sua resposta até ao dia doze de abril.
Leia o código para responder — o nosso catering precisa dos números até meados de abril.
Diga-nos até 12 de abril quem vem, e se precisa de quarto.
As quatro frases que toda a gente acha difíceis
Só para adultos, acompanhantes, dress code e prendas. Cada uma delas é mais fácil no convite, uma vez, nas mesmas palavras para toda a gente, do que em doze conversas separadas. Diga-as com simpatia e siga em frente.
Adoramos os vossos filhos, mas esta vai ser uma noite só para adultos. Obrigado pela compreensão.
Uma festa só para adultos — uma noite de folga, por nossa conta.
Reservámos dois lugares em seu nome.
Os nossos números são apertados, por isso não conseguimos abrir o convite a acompanhantes. Esperamos que compreenda.
Dress code: black tie. Dress code: arranjado, e o relvado é fofo para saltos altos. Dress code: venha como está.
A vossa presença é a melhor prenda. Se quiserem oferecer-nos alguma coisa, um contributo para a nossa lua de mel seria muito bem-vindo; os dados para transferência estão na página dos convidados.
Temos tudo o que duas pessoas precisam menos uma mesa de jantar; fizemos uma lista de casamento, e o link está na página dos convidados.
Sem prendas, por favor — venham só vocês.
Segundos casamentos, casamentos pequenos e casamentos fora do país
Um segundo casamento é normalmente organizado pelos próprios noivos, e o texto di-lo com clareza; nomear os pais é invulgar e pode soar estranho. Um casamento pequeno ganha em dizer que é pequeno, porque explica a lista de convidados antes que alguém se interrogue. Um casamento fora do país tem de levar um save the date com meses de antecedência e, no próprio convite, a espinha prática: que aeroporto, que noites, e o que está tratado para os convidados.
Nos três casos, o registo que resulta é o moderno e direto. O texto formal foi feito para uma cerimónia grande; num almoço de vinte pessoas pode soar a disfarce.
A Ana e o Tomás convidam-no para o seu casamento — um dia pequeno, com as pessoas que mais contam.
Vamo-nos casar em surdina, com doze pessoas de quem gostamos. Você é uma delas.
Vamos casar-nos na Puglia. Guarde as datas: 10 a 13 de maio de 2027; os pormenores e os quartos estão na página abaixo.
A cerimónia é na sexta-feira e o almoço demorado no sábado, por isso venha passar o fim de semana connosco se puder.
Demorámos algum tempo a chegar aqui, e gostávamos muito de o ter connosco quando chegarmos.
Duas línguas, um convite
As famílias espalhadas por vários países tornam o texto mais difícil do que o tom alguma vez o tornou. Há duas respostas que funcionam. Num cartão impresso, componha as duas línguas uma por baixo da outra, a segunda num corpo ligeiramente mais pequeno e no mesmo tipo de letra, e mantenha os nomes iguais nas duas. Num convite digital, deixe cada convidado ver a página na sua própria língua: o mesmo convite, lido em francês por uma tia em Paris e em português por um colega, com um único formulário de resposta por trás dos dois.
O que não funciona é um único cartão numa língua e a promessa de explicar o resto por mensagem; a explicação nunca chega a toda a gente, e os convidados que dela precisam são os que menos provavelmente vão perguntar.
Erros de texto nos casamentos
- A linha dos anfitriões deixada vaga para evitar uma conversa que depois acontece na mesma.
- A data sem o dia da semana, e assim ninguém apanha a gralha.
- O local do copo-de-água nomeado mas sem morada, porque você sabe onde é.
- 'Segue-se o copo-de-água' quando metade dos convidados não está convidada para ele.
- 'Só para adultos' dito a uns convidados por mensagem e a outros nem isso.
- Um dress code que é um estado de espírito: 'festivo de jardim', 'casual elevado'.
- Uma linha sobre prendas que pede dinheiro de uma forma que não diria em voz alta.
- A data-limite de resposta marcada para a semana antes do casamento, sem tempo para insistir nem para fazer o plano de mesas.
- Três formas de responder, e as respostas a chegar a três sítios.
- Uma piada que passa da primeira linha e entra pela morada dentro.
FAQ
- Qual é o texto correto para um convite de casamento?
- Não há uma versão correta; há uma ordem correta. Diga quem convida, quem se casa, o dia, a data e a hora, o local com a morada, o que se segue, o dress code e como responder até uma data. Depois escolha um registo, formal ou moderno, e mantenha-o.
- Que nomes vêm primeiro num convite de casamento?
- Vem primeiro quem convida: os noivos, os pais, ou as duas famílias. Entre os noivos, a ordem tradicional põe a noiva à frente num cartão formal, mas decidirem os dois em conjunto é a resposta moderna, e ninguém anda a contar.
- Como se escreve o convite quando as duas famílias pagam?
- Nomeie as duas, ou não nomeie nenhuma. 'Juntamente com as suas famílias, Ana Ribeiro e Tomás Almeida convidam-no' é a linha em que a maioria dos casais assenta; 'António e Maria Ribeiro e Joaquim e Marta Almeida têm a honra de convidar V. Ex.ª para o casamento de seus filhos' é a sua versão formal.
- Como se diz que o casamento é só para adultos?
- Com simpatia, uma vez, no convite, a toda a gente: 'Adoramos os vossos filhos, mas esta vai ser uma noite só para adultos. Obrigado pela compreensão.' Dizê-lo a uns convidados por mensagem e a outros não é o que causa mágoa.
- Como se pede dinheiro em vez de prendas?
- Diga-o em palavras que diria em voz alta: 'A vossa presença é a melhor prenda. Se quiserem oferecer-nos alguma coisa, um contributo para a nossa lua de mel seria muito bem-vindo.' Ponha os dados da transferência ou a lista de casamento na página dos convidados, e não no convite.
- Quando se devem enviar os convites de casamento?
- Seis a oito semanas antes do casamento, com uma data-limite de resposta três a quatro semanas antes dele. Para um casamento fora do país, envie um save the date nove a doze meses antes e o convite três a quatro meses antes.
- Como se escreve um convite só para a festa da noite?
- Como um convite e não como uma exceção: 'Gostávamos muito de o ter connosco na festa da noite, a partir das oito horas, com bebidas, bolo e dança.' Envie-o como convite próprio, e não em letra pequena no cartão da cerimónia.
- Um convite de casamento pode ser em duas línguas?
- Pode. Num cartão impresso, componha as duas línguas uma por baixo da outra, no mesmo tipo de letra. Num convite digital, cada convidado vê a página na sua própria língua, entre nove, com um único formulário de resposta por trás de todas.